As Casas Agrícolas desempenharam um papel central na transição de Portugal do Antigo Regime para a modernidade. A sua história entre os séculos XIX e XX resume-se em quatro fases principais:
1. O Nascimento da Burguesia Agrícola (Século XIX)
- Fim dos privilégios: As reformas liberais (década de 1830) extinguiram os morgadios.
- Venda de terras: A antiga nobreza perdeu espaço para uma nova burguesia rica, que comprou estas terras.
- Criação das Casas: Surgem as grandes "Casas Agrícolas", fundindo a mentalidade empresarial com o prestígio da posse de terra.
2. Apogeu e Especialização (Finais do Século XIX)
- Foco no mercado: As Casas Modernizam-se e focam-se em monoculturas lucrativas (vinho, cortiça e cereais).
- Poder regional: Tornam-se os maiores empregadores locais. O proprietário passa a controlar a economia e a política da região (caciquismo).
3. O Protecionismo do Estado Novo (Meados do Século XX)
- Campanha do Trigo: Salazar protege os grandes proprietários com subsídios e preços fixos para garantir a autossuficiência do país.
- Estagnação social: As Casas Agrícolas prosperam economicamente, mas mantêm os trabalhadores rurais em condições de grande pobreza e dependência.
4. O Declínio e Reestruturação (Finais do Século XX)
- Êxodo rural: Nas décadas de 1960 e 1970, a emigração massiva deixa as Casas sem mão de obra barata.
- Transformação (1974): A Revolução dos Cravos e a Reforma Agrária (especialmente no Alentejo) levam à ocupação e divisão de muitas propriedades.
- Modernização atual: Algumas das que sobreviveram transformaram-se em empresas agroindustriais, marcas de ecoturismo ou enoturismo.